sábado, 1 de agosto de 2015

Carta de um missionário que se prepara para morrer



Em 1995, fui enviado como missionário pela Igreja, por meio dos Padres de São Columbano, às Filipinas. Não sei exatamente como fui escolhido pela Igreja para ser missionário e, como tal, enviado a evangelizar os filipinos, mas sempre tive a mais firme convicção de que sê-lo foi o principal fio do tecido da minha vida como sacerdotee como homem.
 
Há 7 anos, diagnosticaram-me câncer de cólon. Este câncer é bastante aterrador, tanto que até me perguntei se a minha vida como missionário havia chegado ao seu fim, mas, depois de uma cirurgia e quimioterapia, fiquei livre para voltar ao meu trabalho, tanto de evangelizar como de ser evangelizado pelos filipinos, já que isso era o que estava acontecendo.
 
No entanto, depois de um ano, surgiu um novo câncer nos pulmões, e fiz mais 5 anos de quimioterapia, durante os quais tive a oportunidade de continuar como um missionário muito feliz e produtivo. Foi assim até julho de 2002, quando tive de voltar a Omaha para fazer radioterapia e uma nova quimioterapia.
 
Enquanto isso, cumpri 75 anos de vida, mas a quimioterapia minou minhas forças, e os filipinos me perguntavam, pelo telefone e por carta, quando é que eu "voltaria para casa". Meu corpo e meu médico me disseram que não seria tão cedo. Mas eu achava que, de fato, voltaria. Afinal de contas, eu era um missionário e minha vocação era para a vida inteira. Como sacerdote e como homem, eu não conhecia outra vida nem queria nenhuma outra.
 
Então, meu último tratamento com quimioterapia não surtiu efeito, e o câncer estava crescendo novamente. Não estou particularmente assustado com esta notícia, mas me entristece. Continuo sendo um missionário quando já não posso estar com aqueles com quem passei a vida inteira?
 
Agora, posso dedicar mais tempo à oração e à meditação da Palavra de Deus, mas não sei se rezo melhor do que antes. Tenho mais tempo para recordar com grande alegria as centenas de pessoas que me chamaram de "padre", "pai". Seu amor me sustentou durante tanto tempo!
 
Sempre considerei que um sacerdote precisa ser um homem de oração para ser digno de qualquer coisa, e um sacerdote missionário, mais ainda que os outros.
 
Ainda que minha oração seja pobre, percebi que, por enquanto, é a única maneira que tenho de ser missionário, e me comprometo a continuar fazendo isso enquanto tiver forças.
 
Talvez eu possa aplicar a mim mesmo o que preguei a tantos idosos e outros doentes: que estes momentos podem ser mais produtivos que qualquer outro momento de uma longa carreira missionária.
 
(O Pe. Jim McCaslim faleceu no dia 16 de setembro daquele ano)

O sacerdote católico que salvou a vida de 1.000 muçulmanos

Entrevista exclusiva com o padre Kinvi, herói da paz na África




O padre Bernard Kinvi tem 32 anos de idade, é natural de Togo e dirige uma missão na República Centro-Africana. Sozinho, no início de 2014, o pe. Bernard salvou a vida de mais de 1.000 muçulmanos que fugiam de milícias violentas, reunindo-os e abrigando-os na igreja local. Ele próprio correu um grande risco ao tomar esta atitude.
 
Cristãos e muçulmanos vinham coexistindo em paz na República Centro-Africana até que, no final de 2012, uma força rebelde de maioria muçulmana, chamada Seleka, tomou o controle de um número relevante de cidades do país. Avançando rumo ao sul, os milicianos chegaram à capital, Bangui, onde o presidente François Bozizé tentou um acordo com os rebeldes, mas a paz não perdurou. Em março de 2014, a Seleka já dominava Bangui.
 
Quando a violência atingiu Bossemptélé, cidade localizada a cerca de 186 km ao noroeste de Bangui, alguns combatentes da Seleka, feridos, procuraram atendimento no hospital de missão do pe. Bernard Kinvi. "Eu tive de proibir que eles viessem ao hospital com armas", contou ao jornal “The Irish Times” o próprio pe. Bernard, que é membro da ordem camiliana. "As pessoas estavam aterrorizadas com eles e decidiram reagir. Foi então que elas criaram o anti-Balaka", uma força de resistência ao avanço da milícia Seleka.
 
Por causa do trabalho humanitário do pe. Bernard, a organização “Human Rights Watch”, de defesa dos direitos humanos, o homenageou no ano passado com a entrega do prêmio Alison Des Forges.
 
Aleteia entrevistou o padre Bernard Kinvi.
 
Pe. Bernard, o senhor pode descrever as relações que existiam na comunidade local de Bossemptélé antes do início deste conflito?
 
Antes do início da crise político-militar, a população de Bossemptélé vivia em coesão pacífica entre cristãos, muçulmanos e animistas. A vida de todos era complementar. Os muçulmanos trabalhavam principalmente no comércio. Os Fulani eram criadores de gado e a maioria dos cristãos e animistas trabalhavam na agricultura. E eram eles que produziam os alimentos (mandioca, milho e amendoim) para os muçulmanos e para os Fulani. Todo mundo precisava do vizinho para viver melhor. Naturalmente, havia problemas, mas não eram excessivos.
 
De acordo com a sua experiência, o que alimentou o conflito na República Centro-Africana?
 
Acima de tudo, eu acredito sinceramente que a corrupção e o mau governo é que são a causa deste conflito. Além disso, a maioria das pessoas vive sem eletricidade, sem acesso a água potável, a cuidados de saúde e à educação, enquanto outros vivem na opulência, saqueando ouro, diamantes, madeira, que deveriam ser para todos. Os abusos sem fim e a corrupção provocaram desespero e raiva. E essa raiva acumulada gerou uma espiral de violência e de vingança, que, infelizmente, persiste até hoje.
 
Qual é a situação atual do conflito na República Centro-Africana?
 
O lado oeste do país está vivendo aquela “calma tensa”. As milícias anti-Balakas ainda estão bem armadas, mais do que no início da guerra, inclusive. Mas a violência diminuiu significativamente. Já na região leste do país, em especial na área de Bambari, a violência ainda é muito comum porque os Selekas e os anti-Balakas continuam presentes. É muito difícil eles viverem juntos.
 
Como a sua equipe consegue lidar com os dois grupos em conflito sem tomar partido?
 
No auge do conflito, eu reuni o pessoal do hospital e disse a todos eles: "Nós somos um hospital católico. Aqui nós tratamos todos de forma igual, seja seu amigo, seja seu inimigo. Ele matou o seu irmão ou estuprou a sua irmã? Pois bem, se ele cruzou a porta de entrada do hospital porque está doente ou ferido, você vai cuidar dele. Se você concorda, pode ficar. Se não concorda, você tem a escolha de não trabalhar mais no hospital". Logo depois eu passei a palavra para cada um dos membros da minha equipe e ouvi cada um deles responder: "Eu vou ficar para cuidar de todos, sem exceção". Foi um momento muito emocionante. E eles não disseram só palavras da boca para fora. Eles foram fiéis ao seu compromisso.



Cada vez que nós somos ameaçados de morte por um ou por outro dos grupos de rebeldes porque cuidamos dos inimigos deles, eu sempre assumo a liderança, negocio com eles e mostro que o hospital é um lugar público, para todos.
 
Além disso, e em primeiro lugar, eu sinto a presença constante de nosso Senhor, que sempre me inspira a fazer boas obras e a dizer palavras boas no momento certo.
 
Qual é a sua avaliação sobre o papel das forças de paz da ONU, como a União Africana e as forças francesas, no auge do conflito?
 
Eu acho que as forças francesas, a União Africana e as forças de paz da ONU evitaram o pior, mas não conseguiram parar o conflito. Eu, pessoalmente, acho que são forças de dissuasão para a população civil.
 
Como o senhor avalia o comportamento geral da comunidade local, as pessoas comuns, em relação aos irmãos e irmãs muçulmanos?
 
As atitudes são diferentes. Eu conheci muitas pessoas que odeiam os muçulmanos, especialmente a linhagem pura. Mas também conheci muita gente que se opõe à matança de muçulmanos. Essa gente já os escondeu na própria casa ou no campo, e nós pedimos ajuda para encontrá-los e levá-los para o nosso hospital. Eu até conheci vários anti-Balakas que protegeram civis muçulmanos e me ajudaram a recuperá-los. Hoje, toda a população de Bossemptélé é unânime em achar que a saída dos muçulmanos reduziu consideravelmente a economia da população. Eles têm mais gente para vender os produtos rurais.
 
Existem planos para garantir que este conflito não volte a se inflamar? Que planos seriam?
 
Nós não temos um projeto nacional. Mas, em nossa pequena cidade de Bossemptélé, temos um pequeno "Comitê Comunitário de Coesão Social", que é liderado pelo padre camiliano Patrick Brice Naïnangue, pároco de Santa Teresa de Bossemptélé. Esse comitê é responsável pelo diálogo com o público para repensar as causas profundas desta crise, para interagir com os líderes das aldeias, com os líderes religiosos e com os anti-Balakas (...) a fim de construir as bases da reconciliação, da justiça e da paz.
 
Nós sabemos, também, que muitas das milícias são formadas por agricultores e pecuaristas. Tentamos proporcionar treinamento técnico e distribuir sementes para a época do plantio. Premiamos as melhores produções de cada safra para promover a competitividade. Tudo isso nos permite construir a força de trabalho e impulsionar o mercado de trabalho. E isso leva alguns deles a desistir das armas.
 
Também priorizamos a educação e, se possível, a educação por meio da mídia, em especial da rádio. Esperamos que esses recursos, junto com as nossas muitas orações pela paz, nos permitam cuidar das feridas da guerra e restaurar a paz.
 
Alguns relatos da mídia dizem que os cristãos guardam ressentimento em relação aos muçulmanos. O senhor tem ideia de que ressentimentos seriam esses?
 
Eu não diria que os cristãos tenham ressentimentos contra os muçulmanos. Eu prefiro falar do ressentimento dos não-muçulmanos (tanto cristãos quanto animistas) em relação aos muçulmanos. Isto se deve principalmente ao fato de que a maior parte da milícia Seleka era muçulmana. Além disso, também se deve à cumplicidade de alguns muçulmanos com a milícia nos casos muito graves de abusos que eles cometiam contra os civis não-muçulmanos.
 
Como o senhor acomodou esses dois grupos conflitivos dentro da missão sem que a própria missão entrasse em conflito?
 
A primeira milícia que surgiu entre nós foi a Seleka. No dia 17 janeiro de 2014, eles fugiram da cidade depois de roubar motocicletas e um carro do hospital. Em 18 de janeiro, os anti-Balakas implantaram o seu próprio reinado, depois de enfrentar a resistência dos extremistas muçulmanos. Mais de 100 pessoas foram mortas; na maioria, eram civis. Foi assim que o conflito começou na nossa região. Nós recebemos os feridos e eu tentei me esconder e me proteger. Mas eu sabia que era o exército celestial que nos protegia.
 
Como o senhor conseguiu sustentar as pessoas que se refugiaram na missão, em termos de alimentação, tratamento e proteção?
 
Antes da guerra, eu armazenei um estoque de arroz e medicamentos. Com essas provisões, conseguimos alimentar e cuidar dos nossos refugiados até a chegada dos Médicos sem Fronteiras e do Programa World Food. As freiras carmelitas também esvaziaram as reservas alimentares que elas tinham, para ajudar os estudantes na escola primária que elas dirigem.
 
Como o senhor se sente com o recebimento do prêmio da Human Rights Watch?
 
Eu dou graças a Deus, que quis fazer com que o mundo conhecesse a obra dele através do nosso modesto compromisso. Eu me vejo chamado pelo Senhor, que ainda me convida, e sempre vai me convidar, a defender os direitos humanos sem levar em consideração as feridas do meu próprio corpo. É muito bonito amar e dar a vida pelos amigos.

Adivinhe por que esta mulher muçulmana se tornou católica



Ela se esconde sob o pseudônimo de Sabatina James, tem 31 anos e é obrigada a viver com escolta policial 24h por dia, mudando regularmente de localidade na Alemanha.
 
Sua história também foi contada pela Newsweek: quando tinha 10 anos, sua família muçulmana sunita se transferiu de Lahore (Paquistão) a uma pequena cidade da Áustria. Aos 17 anos, voltou ao Paquistão, porque seus pais queriam celebrar sua união com um primo a quem a haviam prometido em casamento quando era criança. Ela se rebelou e então foi confinada em uma escola corânica sunita para que aprendesse a ser uma “paquistanesa decente”.
 
A dureza das suas condições a fizeram ceder, de maneira que seus pais, acreditando que agora ela queria se casar, deixaram-na voltar à Áustria para que terminasse seus estudos, para depois regressar ao Paquistão para casar-se. Ao chegar aos 18 anos, Sabatina fugiu, e a amizade com um colega de faculdade evangélico a levou a um itinerário de conversão, oscilando entre o protestantismo e o catolicismo.
 
Está sempre presente nela a advertência da comunidade islâmica na qual cresceu: entre os cristãos não há santos, suas igrejas estão vazias e seus prostíbulos, cheios. No entanto, apesar disso, os símbolos católicos a atraíam; a imagem de Deus que escolhe sofrer na cruz a comovia.
 
Sua primeira constatação foi a de que o temor de Deus professado pelos cristãos, baseado no amor, é diferente do temor de Deus professado pelos muçulmanos, baseado no medo. Seu amigo cristão lia passagens da Bíblia que lhe davam paz e serenidade, como o Alcorão jamais havia feito.
 
Sabatina recorda esses dias assim: “Cristo mostrava suamisericórdia às mulheres adúlteras, enquanto Maomé permitia que fossem lapidadas. Quanto mais eu lia o Alcorão, mais ódio sentia dos que eram diferentes dos muçulmanos; no entanto, como cristã, sinto amor por estas pessoas e desejo que recebam o mesmo amor que eu senti através de Jesus”.
 
Sabatina chegou a procurar um padre católico, mas no começo não recebeu muita atenção; alguns diziam que Maomé também foi um profeta, com medo de ofender o islã. Mais confusa do que antes, ela se orienta ao evangelismo, sofrendo as ameaças dos seus pais: se não voltasse atrás, eles a matariam. A polícia não a ajuda, mas a igreja evangélica sim.
 
No entanto, ela continuava sentindo que lhe faltava algo; seu fascínio pela experiência católica só aumentava, fazendo-lhe intuir interiormente que esta é a “Igreja verdadeira”; é um chamado interior. Então, ela decidiu se aproximar dos grandes Padres da Igreja, como Agostinho, Inácio de Antioquia e Irineu. As ameaças aumentaram, mas a força da nova conversão, agora ao catolicismo, deu-lhe o sorriso da paz interior e a plenitude de vida.
 
O encontro com Jesus agora é real, e o que mais impressiona Sabatina é esta passagem: “Eu, o Senhor, chamei-te realmente, eu te segurei pela mão, eu te formei e designei para ser a aliança com os povos, a luz das nações; para abrir os olhos aos cegos, para tirar do cárcere os prisioneiros e da prisão aqueles que vivem nas trevas” (Isaías 42, 6-7).
 
Sabatina compreende que sua missão é apoiar as mulheres muçulmanas que se dirigem a ela porque foram espancadas e repudiadas pelos seus maridos ou porque querem sair dos seus países.
 
“E nós, os católicos – lamenta Sabatina –, muitas vezes ensinamos que todas as religiões são iguais, e assim fazemos que os católicos se convertam ao islã, para depois irem combater a jihad no Iraque.”
 
Com a fundação da qual se tornou embaixadora, “Terre de Femmes”, Sabatina luta hoje pela igualdade das mulheres muçulmanas. “Milhares de mulheres são torturadas e assassinadas em nome de Alá; nos últimos anos, só no Paquistão, mais de 4.000 mulheres foram queimadas vivas”, escreveu em seu livro “Minha luta pela fé e pela liberdade” (Ed. Palabra, 2013).


De família judia da esquerda radical, ele era ateu, niilista,comunista e só queria atacar a Igreja. Hoje, o professor francês Fabrice Hadjadj é um dos mais renomados pensadores católicos do mundo, depois de ter atravessado um longo processo de conversão.

“Minha família era judia e de extrema esquerda e eu cresci com o espírito de revolta”, conta Hadjadj, que desenvolveu um ateísmo marcado pelo anarquismo. A leitura de Nietzsche o levou ainda ao niilismo, aumentando nele a “violência anticristã”.

“Um dia, um amigo meu publicou um livro de aforismos, em que cada um vinha precedido por uma citação bíblica”. Fabrice Hadjadj viu nisto mais uma oportunidade de ridicularizar Deus. “Eu queria ler a Bíblia para rir. Tinha encontrado um procedimento mordaz para ridicularizar as Escrituras. O problema era que, para caçoar bem da Bíblia, eu tinha que lê-la”.


Isaías e Jó


“Comecei com a leitura de Isaías e de Jó. O choque! Que sopro mais incrível! Mais tarde, reli os Evangelhos. Quanta simplicidade unida a tanta profundidade! A palavra de Jesus não era uma palavra como qualquer outra: era a palavra em carne e osso e em espírito. Eu tinha querido me desviar da Escritura, e ela me devolveu ao caminho”.


A doença do pai


“Alguns meses mais tarde, o meu pai ficou doente. Eu não sabia o que fazer para ajudar. Corri à igreja de São Severino, perto da minha casa em Paris. Era a igreja em que eu tinha caçoado dos fiéis uns dias antes. Então orei e foi uma revelação. Não era uma grande luz, era uma voz descendo do céu. Eu estava em paz e a paz me mostrou que a oração é a essência da palavra, o próprio lugar do homem”.


O julgamento de um nazista


“Outro sinal de Deus em minha vida foi o julgamento de Paul Touvier”, um colaborador nazista condenado por crimes contra a humanidade por ordenar o fuzilamento de sete judeus em 1944. “Assisti porque um amigo meu era advogado no julgamento. Naquela tarde, em sua casa, este jovem se perguntava se teria sido melhor do que aquele homem. De repente, eu descobri a minha miséria interior e pensei em Cristo como um Inocente, um absoluto Inocente que veio para me redimir, com toda a humanidade manchada pelo mal, para me salvar com todos, vítimas e verdugos”.

Cinco anos mais tarde, “fui batizado na Abadia de Solesmes”. Soube, anos mais tarde, que aquele foi precisamente o lugar em que o condenado no julgamento tinha se escondido durante meses.


Professor, pai de família e defensor da vida


Após descobrir a fé, a vida de Fabrice Hadjadj mudou completamente. Ele não queria ter filhos. Agora tem seis. Através da sua coluna no jornal "Le Figaro", ele tem sido um dos intelectuais que mais questionam a equiparação entre a união homossexual e o casamento, bem como as consequências da adoção de crianças por parte de casais homossexuais.


O demônio e o mundo de hoje


Um de seus livros mais importantes trata do "príncipe deste mundo". Hadjadj observa que “é preciso entender que o ateísmo e o liberalismo não são as piores dores de cabeça, já que o diabo não é ateu. Sabendo exatamente a verdade, ele nos leva ao erro dando-lhe um aspecto atrativo; utiliza a nossa energia para lutar contra um erro fazendo-nos cair no erro oposto”.


Fé, coerência e razão


Os cristãos devem ter cuidado com a “fé desencarnada, em que alguém se dedica a ‘organizações benéficas imaginárias’ e se esquece de amar o próximo em casa ou na própria cama”.

"Hoje em dia está na moda dizer ‘sou ateu’, ‘sou homossexual’, etc… Ninguém diz ‘sou homem’. O importante, para o crente, é compreender que, diante dele, há sempre um homem, alguém que está, como eu, exposto ao pecado e à morte e que talvez seja um pouco menos consciente do Mistério".


Conversão e vivência do presente


“Não gosto de ser anedótico e retrospectivo. A conversão é um ponto de partida, não de chegada. É como um nascimento. Mas não se pode perguntar aos convertidos unicamente por aquilo que sucedeu no momento do parto. Eu me pergunto sempre sobre o meu batismo, que foi algo extraordinário. Mas me perguntam menos pelo meu matrimônio, que, no entanto, é o cumprimento do meu batismo. Eu poderia escrever milhares de páginas sobre a minha conversão. Mas seria prisioneiro de algo que pertence ao passado. Devo sempre poder dizer que, se sou cristão, é também graças a ela, que está ao meu lado. O que fundamenta a fé é principalmente o assombro diante daquilo que me rodeia”.


sources: ALETEIA

Imã se converte ao catolicismo: "O Alcorão diz que Jesus Cristo está vivo"



Mario Joseph era imã aos 18 anos e, ao converter-se ao cristianismo, sofreu até uma tentativa de assassinato do seu pai. Hoje, ele é pregador católico na Índia. É um caso único no mundo. É o clérigo muçulmano mais jovem que abraçou o cristianismo, o que lhe supôs uma sentença de morte.
 
No cemitério da sua cidade natal, na Índia, há uma lápide com seu nome, em cima de um túmulo que tem uma escultura de barro do seu tamanho. Seu pai lhe disse: "Se você quiser ser cristão, terei de matá-lo".
 
Mas este homem ainda está vivo e Lartaún de Azumendi o entrevistou:
 
Mario Joseph, você tinha 18 anos e era um clérigo muçulmano. Como aconteceu esta mudança?
 
Eu era o terceiro de 6 irmãos e, aos 8 anos, meu pai me enviou a uma escola corânica para que eu me tornasse um imã. Depois de 10 anos de estudo, aos 18 anos, então, eu me tornei imã. Um dia, eu estava pregando na mesquita que Jesus Cristo não era Deus e então uma pessoa do público me disse para não dizer isso; e me perguntou quem era Jesus Cristo.
 
Como eu não tinha uma resposta para dar, comecei a ler todo o Alcorãoe lá descobri que o capítulo 3 fala de Jesus, que muitas vezes é chamado de Jesus Cristo; e, no capítulo 9, fala-se de Maria.
 
Maria é o único nome de mulher que aparece no Alcorão; de Jesus, diz-se que Ele é a Palavra de Deus.
 
A região em que você morava na Índia era muçulmana?
 
Sim, é de maioria muçulmana e hindu; praticamente não há cristãos.
 
A partir dessa dúvida que você teve enquanto estava pregando, como começou o processo de conversão?
 
O Alcorão diz que Maomé está morto, mas que Jesus Cristo ainda está vivo. Então, quando eu li isso, me perguntei: quem devo aceitar: o que está morto ou o que está vivo?
 
Perguntei a Alá sobre quem eu deveria aceitar e comecei a orar para que me ajudasse nesta questão. Quando comecei a orar, abri o Alcorãoe li, no capítulo 10, versículo 94, que os que tinham uma dúvida assim, deveriam ler a Bíblia. Por isso, decidi começar a ler e estudar a Bíblia. Então, percebi quem é o Deus verdadeiro e, partir disso, abracei ocristianismo.
 
Você conta isso de maneira natural, mesmo sabendo a situação pela qual poderia passar. Como sua comunidade reagiu?
 
Quando eu me converti, fui a um centro de retiros e minha família começou a me procurar. E me encontraram lá. Meu pai me espancou e me levou para casa. Quando chegamos, ele me trancou em um quarto, amarrou minhas mãos e meus pés, deixou-me nu, colocou pimenta nos meus olhos, boca e nariz, e me deixou lá, assim, sem comida, durante 28 dias. Passado este tempo, meu pai voltou e me pegou pelo pescoço, para ver se estava vivo.
 
Abri os olhos e vi que ele tinha uma faca na mão. Ele me perguntou se eu tinha aceitado Jesus e disse que me mataria se eu o aceitasse. Eu sabia que o meu pai ia me matar, porque ele é um muçulmano muito duro, eu tinha certeza. Mas respondi que aceitava Jesus Cristo; naquele momento, senti uma luz muito forte na minha mente, que me deu forças para gritar: "Jesus!".
 
Naquela hora, meu pai caiu e acabou machucando seu peito com a faca; foi um grande corte, que sangrava muito; saía espuma pela boca dele. Nesse momento, minha família, assustada, o socorreu e o levou ao hospital, mas se esqueceu de trancar a porta. Eu pude sair e pegar um táxi, para ir ao centro de retiros de onde tinham me tirado, e fiquei lá, escondido.
 
É incrível que você tenha tido força física para sair de saca e ir ao centro de acolhimento católico...
 
Eu estava magro e muito fraco, mas aquela luz me deu forças e uma saúde que eu não sabia de onde vinha. No entanto, sofro até hoje as consequências desse castigo, porque tenho uma úlcera no estômago e úlceras na boca.
 
Faz quanto tempo que isso aconteceu?
 
Faz 18 anos. E o sofrimento ainda me acompanha. O Alcorão diz, em mais de 18 lugares, que quem rejeita o Alcorão deve ser eliminado.
 
Você nunca mais voltou a ver o seu pai?
 
Nunca mais voltei à minha cidade. Nunca mais pisei minha terra. Não só isso; eu estou enterrado lá, porque meus pais fizeram um túmulo para mim, com uma lápide que tem o meu nome e o dia do meu nascimento.

sources: COPE

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Protestantes pedem desculpas pela destruição de imagens na Reforma



Hamburgo (RV) – A comunidade protestante alemã apresentou suas desculpas pela vasta destruição de imagens religiosas realizada durante o período da Reforma. Em uma declaração da Evangelische Kirche in Deutschland (EKD) divulgada pelo semanário católico “The Tablet”, os responsáveis religiosos sublinharam que a comunidade protestante condena com firmeza esta prática de destruição. “As imagens – salientou o Bispo Petra Bosse-Huber, durante uma reunião da delegação da EKD e do Patriarcado Ecumênico de Constantinopla – há muito tempo tornaram-se expressão da piedade protestante”.
Significado da imagem
Os líderes religiosos das duas Igrejas encontraram-se em Hamburgo nos dias passados para discutir a aprofundar o significado da imagem do ponto de vista Ortodoxo e Protestante. Por ocasião do encontro, o Patriarca Ecumênico de Constantinopla Bartolomeu I e o Presidente da Evangelische Kirche in Deutschland, Bispo Bedford-Strohm, enviaram sua saudação aos participantes, abençoando o encontro.
Remoção de imagens e vitrais
Durante os trabalhos foi destacado que a destruição de imagens era mais comum no período imediatamente posterior à Reforma. Na primeira metade do século XVI, as estátuas da Virgem Maria e dos Santos, assim como vitrais com imagens sacras, retratando eventos milagrosos e sobrenaturais, foram removidos das igrejas e das capelas e muitas vezes destruídos.
Onda de destruição
Em particular, a Suiça, os Países Baixos, a Inglaterra e a Alemanha meridional sofreram os efeitos maiores desta prática destrutiva. Em Ulm, na Alemanha, em 1531, durante o “Götzentag” (“Dia do falso ídolo”), os apoiadores da Reforma, convencidos de que os objetos religiosos fossem símbolos de idolatria supersticiosa, removeram com violência sessenta altares e dois órgãos da catedral local. Mais tarde Genebra, na Suiça, assistiu a uma das mais devastadoras ondas de destruição de imagens religiosas e de objetos sacros, inspiradas por grupos de influentes teólogos protestantes. (JE/Osservatore Romano)

sábado, 11 de julho de 2015

Quem foi São Bento



São Bento nasceu na Umbria, Itália, no ano de 480. Era de família nobre romana. Desde pequeno manifestou um gosto especial pela oração. Realizou os primeiros estudos na região de Nurcia, próximo à cidade de Spoleto. Depois foi morar em Roma para estudar filosofia.

Vida de São Bento
Um eremita chamado Romano encontrou Bento e lhe deu um hábito de monge. Romano ensinou a São Bento tudo sobre a vida de eremita e levando-o para uma gruta escondida, (gruta santa), no monte de Subíaco. Lá, o jovem Bento aprofundava-se na vida de eremita e Romano o ajudava regularmente com alimentos.
São Bento ficou ali por 3 anos só em orações e estudos, sem receber visitas. Um dia, porém, um sacerdote da região, fazendo seu jantar, ouviu uma voz dizendo: estás fazendo seu jantar enquanto meu servo Bento morre de fome no deserto.  O sacerdote, com muito esforço, partiu para o deserto, encontrou a gruta em que Bento estava escondido e após uma oração, disse que era o dia daPáscoa do Senhor e serviu-lhe a comida.
Tempos depois o jovem bento foi descoberto por pastores e assim passou a receber muitas visitas para conselhos e orações. Logo sua fama começou a crescer e ele passou a ser visitado por mais e mais pessoas em busca de aconselhamentos e orações.

Tentativa de assassinato
Por causa de sua fama de santidade, São Bento foi chamado para ser o abade (superior) do convento de Vicovaro. Ele aceitou, desejando prestar um serviço. Porém, não combinou com a vida que os monges viviam, porque não era incondicional como ele achava que deveria ser o seguimento de Cristo.
Foi se formando entre os religiosos uma antipatia contra o santo, chegando ao cúmulo de tentarem matá-lo com veneno, mas, abençoando a taça de vinho envenenada, como fazia com todos os alimentos que comia, ela se quebrou. Assim, bento disse em seguida que Deus perdoe a vocês, meus irmãos. Depois disso, abandonou o convento e voltou para Subíaco.

A primeira ordem monástica da história
São Bento fundou em poucos anos doze mosteiros. Antes de Bento, os monges viviam como eremitas, isolados, sozinhos. São Bento organizou a vida monástica comunitária e os mosteiros começaram a florescer. Todos eles seguiam a famosaRegra de São Bento.  As famílias nobres de Roma começaram a mandar seus filhos para estudarem nos mosteiros fundados por São Bento. Santo Plácido e São Mauro estavam entre os educandos de São Bento.

A Regra de São Bento
A Regra de São Bento (Regula Monasteriorum) é um livro escrito por São Bento, com as regras para a vida monástica comunitária. É um livro com 73 capítulos curtos. A regra prioriza o silêncio, a oração, o trabalho, o recolhimento, a caridade fraterna e a obediência. Assim nascia a famosa Ordem dos Beneditinos, ou Ordem de São Bento, que permanece viva e atuante até hoje, seguindo a mesma regra escrita há mais de 1500 anos. A Regra de São Bento foi também adaptada para várias congregações de monges do ocidente.

Milagres de São Bento
No Monte Cassino, Itália, Bento começou a pregar o Evangelho para o povo. Com a pregação e os inúmeros milagres que fazia, inclusive vários exorcismos, o povo começou a se converter. Assim, o povo de Monte Cassino derrubou o templo de Apolo, que fora construído no cume do monte e com suas ruínas construíram dois conventos com as bênçãos de São João Batista e São Martinho. Esta foi a origem do grande mosteiro de Monte Cassino, criado em 529, com a bênção do Papa Felix lll. 

Devoção a São Bento
São Bento morreu no ano de 547, aos 67 anos. Predisse sua morte no mesmo ano da morte de sua irmã Santa Escolástica, fundadora do ramo feminino da ordem de São Bento. Mandou abrir sua própria sepultura e depois de falar aos monges, de pé com as mãos para o céu, morreu. Parte de suas relíquias estão no Mosteiro de Monte Cassino e outras na abadia de Fleury, na França. São Bento foi canonizado no ano de 1220 e sua festa é comemorada no dia 11 de julho.

Imagem de São Bento
Sua imagem é representada com o livro das regras; um sino, que representa a voz de Deus; um copo quebrado e a serpente representando o veneno; um corvo com um pedaço de pão no bico representando o tempo em que ele passou no deserto e uma vara representando a disciplina.


Medalha de São Bento e sua mensagem
A medalha de São Bento foi esculpida primeiramente nas colunas do mosteiro de Monte Cassino. Na frente da medalha lê-se: Ejus in ibitu nostro praesentia muniamur. Sejamos protegidos pela sua presença na hora da nossa morte.
No verso encontra-se as seguintes inscrições:
CSPB - Crux Sancti Patris Benedicti  - (cruz do Santo Pai Bento)
CSSML - Crux Sacra Sit Mihi Lux  - (a Cruz Sagrada Seja a minha Luz)
NDSMD - Non Draco Sit Mihi Dux  - (não seja o Dragão o meu guia)
VRS - Vade Retro Satana - (para traz satanás)
NSMV - Nunquam Suade Mihi Vana - (Nunca Seduzas minha alma)
SMQL - Sunt Mola Quae Libas - (são coisas más que brindas)
IVB - Ipse Venana Bibas  - (Bebas do mesmo veneno)


A Cruz sagrada seja a minha Luz. Não seja o dragão o meu guia. Retira-te satanás. Nunca me aconselhe coisas vãs. É do mal o que tu me oferece. Beba tu mesmo do teu veneno. Rogai por nós Bem Aventurado São Bento, para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Nova ameaça da “ideologia de gênero”



Cardeal Orani João Tempesta


“A ideologia de gênero é uma tentativa de afirmar para todas as pessoas que não existe uma identidade biológica em relação à sexualidade. Quer dizer que o sujeito, quando nasce, não é homem nem mulher, não possui um sexo masculino ou feminino definido, pois, segundo os ideólogos do gênero, isto é uma construção social” (Dr. Christian Schnake, médico chileno e especialista em Bioética, Ideologia de gênero: conheça seus perigos e alcances. Destrave. Canção Nova, acessado em 2/6/15), conforme expus em Nota Pastoral recém-publicada.
Ora, essa ideia, que vem sendo difundida como palavra de ordem nos últimos tempos, apareceu no Plano Nacional de Educação (PNE), mas, graças à mobilização das forças vivas e atuantes do Brasil, contando, inclusive, com alguns Bispos, foi banida. Agora, porém, volta ao Plano Municipal de Educação (PME). No mínimo isso é uma incoerência: colocar no plano municipal o que não consta no federal! Cada município ficará, pois, por meio de seus vereadores, responsável, diante de Deus e de seus munícipes, de excluir (se, obviamente, já estiver no texto), até o fim de junho, a revolucionária ideologia de gênero para as crianças e adolescentes em fase escolar atendidas pela rede municipal de ensino. Arbitrariamente, algumas atitudes federais já inserem alguns tipos dessa ideologia em nossas escolas, mesmo através de livros e outras decisões por decreto. Querem transferir para a orientação da escola aquilo que as famílias são chamadas da passar aos seus filhos.
De um modo amplo, ideologia é um termo que se origina dos filósofos franceses do século XVIII, conhecidos como ideólogos (Destutt de Tracy, Cabanis etc.) por estudarem a formação das ideias. Logo depois, passou a designar um conjunto de ideias, princípios e valores que refletem uma determinada visão de mundo, orientando uma forma de ação, sobretudo uma prática política.
Hoje, o termo ideologia parece ser amplamente utilizado, sobretudo por influência do pensamento de Karl Marx, na filosofia e nas ciências humanas e sociais em geral, significando o processo de racionalização – um autêntico mecanismo de defesa – dos interesses de uma classe ou grupo dominante para se manter no poder (cf. H. Japiassú e D. Marcondes. Dicionário Básico de Filosofia. 3ª ed. rev. e ampl. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1999, verbete ideologia).
Ora, esta base é que sustenta a ideologia de gênero, cujas raízes merecem ser, em suas várias vertentes, conhecidas pelo povo brasileiro.
Pois bem, no período entre as duas grandes guerras mundiais (1918-1939), estudiosos de diversas áreas – Filosofia, Sociologia, História, Economia, Psicologia etc. – ligados à chamada Escola de Frankfurt, se puseram a criticar tanto a burguesia capitalista quanto o comunismo extremado, ou seja, aquele de fundo marxista-leninista dogmático. Em seu lugar, propunham um marxismo sorridente, capaz de se difundir no Ocidente dado que aqui se faziam muitas ressalvas ou críticas ao modelo comunista russo implantado no governo desde novembro de 1917.
Esse comunismo, mais aberto para enganar os ingênuos, trazia em seu bojo a filosofia marxista da luta de classes, na qual, segundo o filósofo alemão Frederick Engels, em sua obra “A Origem da Família, da Propriedade e do Estado”, escrita em 1884, “o primeiro antagonismo de classes da história coincide com o desenvolvimento do antagonismo entre o homem e a mulher unidos em matrimônio monogâmico; e a primeira opressão de uma classe por outra, com a do sexo feminino pelo masculino” (New York, 1972, p. 65-66).
Pois bem, essa luta de classes no modelo tratado por Engels foi unida às teorias de Sigmund Freud (1856-1939) e transformada também em luta de sexos, na qual a mulher seria a classe oprimida e o homem a classe opressora. A libertação viria no momento em que as mulheres se soltassem sexualmente, praticando a genitalidade sem barreira alguma. Mesmo o “incômodo” do filho teria solução: a Rússia legalizou o aborto já no ano de 1920, visto que ainda não se conhecia a pílula anticoncepcional e muito menos os fármacos abortivos.
Infelizmente, tudo isso não foi libertador, mas tornou muitas mulheres, sempre tão queridas por Deus, novas escravas, não mais apenas vítimas dos homens, mas de si mesmas, dado que, talvez na ânsia de se libertarem, acabaram pagando o alto preço dos efeitos colaterais da libertinagem, especialmente com o aumento da prostituição, do consumo de álcool e de outras drogas, das pílulas anticoncepcionais, das pílulas do dia seguinte (abortivas) e do aborto cirúrgico, cujas sequelas no corpo e na mente podem ser danosas para sempre. Afinal, nenhuma mulher com uma boa formação humana e cristã, por sua natureza materna inata, dormirá em paz depois de pensar que assassinou o próprio fruto do seu ventre.
Logo depois se assomou a isso tudo o construtivismo social. Que ensina essa escola? – Ensina a desconstrução da realidade, e, com Jaques Derrida e Michel de Foucault, foi também aplicada à sexualidade. Para eles não existe a realidade (objeto) nem o homem que descobre a realidade (sujeito), mas apenas a linguagem que produz os objetos ao lhe dar os nomes que os classifica e caracteriza. 
Essa linguagem, porém, é fruto de mera construção social que atribui a ela o valor semântico que quiser. Daí serem esses valores mutáveis como a sociedade, de modo que o modelo cultural atual é responsável por destruir o anterior, e assim sucessivamente, inclusive no campo moral. Reina, portanto, o relativismo, e, para Foucald o pansexualismo: tudo giraria em torno da sexualidade.
Com o existencialismo ateu, dá-se um passo além, especialmente por obra de Simone de Beauvoir. Esta ensina que “não se nasce mulher, mas você se torna uma mulher; não se nasce um homem, mas você se torna um homem”. O gênero seria uma construção sociocultural sustentada pela experiência. Ora, se a experiência da mulher foi a de ser dominada pelo homem ao longo da história, na visão de Beauvoir, toda hierarquia deveria ser eliminada da vida pública e privada para dar lugar a relações de igualitarismo marxista (não de igualdade cristã) entre os seres humanos.
Chega-se, assim, ao feminismo de gênero como uma espécie de síntese de todas essas correntes que, brevemente, apresentei acima. Esse tipo de feminismo supera o anterior que o preparou, ou seja, aquele feminismo inicial desejoso de que a mulher fosse equiparada aos homens. Descreve bem essa evolução feminista a seguinte declaração de Shulamith Firestone: “Para organizar a eliminação das classes sexuais é necessário que a classe oprimida se rebele e assuma o controle da função reprodutiva..., pelo que o objetivo final do movimento feminista; isto é, não apenas a eliminação dos privilégios masculinos, mas da própria diferença entre os sexos; assim, as diferenças genitais entre os seres humanos nunca mais teriam nenhuma importância” (The dialectcsof Sex. Nova York: Bantam Books, 1970, p. 12).
Tudo isso leva-nos ao cerne do gênero, que é a permissão para que sejam eliminadas (como se isso fosse possível) todas as diferenças entre os sexos, complementando desse modo o que propusera o feminismo anterior ao pregar o seguinte: “a raiz da opressão da mulher está em seu papel de mãe e educadora dos filhos. Por isso deve ser liberada de ambas as tarefas, através da contracepção e do aborto e da transferência da responsabilidade da educação dos filhos para o Estado” (J. Scala. Ideologia de gênero. São Paulo: Katechesis/Artpress, 2011, p. 21). Estejamos atentos a algumas leis que já existem em que o Estado interfere na família e educação dos filhos.
A partir dos anos de 1980, todos esses ideólogos do feminismo antigo ou de gênero se uniram a outros lobbies e passaram a combater a família monogâmica e estável como um estorvo para a liberdade sexual imaginada desde os anos de 1960 para todos, a fim de destruir os planos perfeitos de Deus e, em seu lugar, impor os planos falhos da criatura. 
O ser humano, como pessoa, nunca pode ser usado como um instrumento ou um objeto, mas deve ser contemplado e amado como tal, sendo dotado de dignidade e valores. A negação da transcendência afeta diretamente a dignidade da criatura humana. Pois como disse São João Paulo II: "a divindade da pessoa humana é um valor transcendente, como tal sempre reconhecido por aqueles que se entregam sinceramente à busca da verdade" (cf. Mensagem de sua santidade João Paulo II para a celebração do XXXII Dia Mundial da Paz: 1 de janeiro de 1999).
Analisando essas ideologias supracitadas, percebemos que elas são expressão de autoritarismos que visam a valorizar seus próprios interesses, fazendo com isso que a sociedade acabe negando a transcendência do ser humano e, consequentemente, rebaixando a dignidade do homem, acarretando graves implicações no campo dos direitos humanos.
Por fim, podemos concluir que a ideologia do gênero tornou-se um instrumento utilizado para atacar a dignidade da pessoa e também a família, pois esta representa para eles um tipo de 'dominação'. Ao contrário, nós dizemos que é pela família que conseguiremos restaurar tal dignidade; pois é por ela que somos educados e formamos verdadeiros valores e ideais.
As perguntas que ficam são: uma sociedade com indivíduos que cultivam ódio a Deus e tentam destruir valores intrinsecamente sagrados como a vida e a família poderão ter um futuro promissor? Os seres humanos são mais felizes ou mais frustrados com tudo isso? Não estaria, em parte ao menos, atrelado a essa degenerescência dos valores o alto índice de adolescentes e jovens que tentam buscar escapes nos entorpecentes ou mesmo nas tentativas ou na consumação de suicídios? As perguntas atuais sobre os rumos da humanidade e as dificuldades de respostas da sociedade estão a comprovar os descaminhos que a sociedade hodierna está tomando.
Já não passou da hora de nos voltarmos mais à misericórdia de Deus e confessarmos confiantes: Senhor, só Tu tens palavras de vida eterna! (cf. Jo 6,68)? Sim, pois só Ele é a verdadeira e definitiva libertação de toda opressão que o ser humano possa sofrer. E ao acolhermos a “palavra de Deus” iremos ver que encontraremos o verdadeiro “ser humano” criado à imagem e semelhança d’Ele. E veremos que mesmo os estudiosos e cientistas sérios chegarão à mesma verdade através de suas reflexões e raciocínios. Cabe a nós, cidadãos de hoje, levarmos avante os verdadeiros valores desta pátria que amamos e aonde habitamos como cidadãos que têm direitos e deveres e que se responsabilizam pelo futuro.

* Orani João, Cardeal Tempesta, O.Cist. - Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ