sexta-feira, 29 de março de 2013

Cores Litúrgicas - O que significam?

         Quando vamos à Igreja, notamos a predominância de uma determinada cor, seja no altar, no tabernáculo, no ambão e até mesmo na estola usada pelo sacerdote. Percebemos também que, a cada semana que passa, essa cor pode variar ou permanecer a mesma. E isso ocorre em todas as igrejas.
       Concluímos então que essas cores carregam consigo um significado, que é válido para todas as igrejas pois obedecem ao mesmo calendário litúrgico. Mas o que elas simbolizam?


Simboliza a esperança que todo cristão deve professar. Usada nas missas do Tempo Comum.



Simboliza a alegria cristã e o Cristo vivo. Usada nas missas de Páscoa, no Natal, nas festas do Senhor, de Maria e dos outros santos e santas. Nas grandes solenidades, pode ser substituída pelo amarelo ou, mais especificamente, o dourado.







Simboliza o fogo purificador, o sangue e o martírio. Usada nas missas no domingo de Ramos, na Sexta-feira santa, Pentecostes e na festa dos santos mártires.







Simboliza a preparação, penitência ou conversão. Usada nas missas da Quaresma e do Advento (pode ser usado, também na liturgia dos falecidos).


Raramente usada nos dias de hoje, simboliza uma breve "pausa" na tristeza da Quaresma e na preparação do Advento (no 4º domingo da quaresma e no 3º domingo do advento).



Também em desuso, simboliza a morte. Usada em funerais, vem sendo substituída pela cor Roxa.

Celebração da Páscoa


 

Indicações Litúrgico-pastorais para as celebrações da Semana Santa*
O sentido original da Páscoa vem do hebraico, a língua do Antigo Testamento, e significa “passagem”. Ainda hoje é a festa mais importante do povo judeu, e é o ponto principal da fé cristã. Sem ela não existe Ano Litúrgico, pois ela é o ponto mais alto, é ela que conduz todos os demais tempos. Ela é preparada pela quaresma e continuada pelo tempo pascal. A Páscoa cristã nasceu da Páscoa judaica, que tem suas origens numa festa ligada aos pastores mais antigos.

         Os pastores na antiguidade, não possuíam terras, somente rebanhos. Páscoa para eles era a passagem de uma pastagem a outra com suas cabras e ovelhas. Nessa ocasião, imolavam cordeiros à divindade, ungindo com sangue as estacas das tendas, para afastar o mau olhado e os espíritos que tornavam o rebanho estéril.

       Os hebreus adotaram essa festa antiga e transformaram na grande festa da independência, ou seja, começaram a comemorar nesse dia a saída do Egito, lugar da escravidão, atravessando o Mar Vermelho a pé enxuto, rumo a terra da liberdade e da vida. Páscoa é, portanto, passagem da escravidão à liberdade, da morte à vida. Êxodo 12 narra como os hebreus celebravam esse acontecimento. Jesus também celebrou a Páscoa judaica, segundo os evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas. E celebrando a Páscoa judaica inaugurou a própria Páscoa, sua passagem deste mundo para o Pai. Isso é celebrado de modo intenso na Semana Santa e Domingo de Páscoa. Mas é celebrado igualmente em todas as missas.

         A Semana Santa, que inclui o Tríduo Pascal, visa recordar a Paixão e a Ressurreição de Cristo, desde a sua entrada messiânica em Jerusalém.

         Por volta do ano 400, reconstruiu-se do modo mais preciso possível a entrada de Jesus em Jerusalém, como abertura dos ritos da grande semana.

            A procissão de Ramos teve sucesso no Oriente, mas depois tal costume passou para a Espanha e Gália. No fim dos séculos VII e VIII, vamos encontrar o título “Domingo de Ramos”, mas a procissão dos Ramos só tornou-se um costume romano apenas no século XI.

           Agitando nossos ramos, caminhando e cantado hinos de vitória proclamamos a vitória de Cristo, Rei e Redentor, aclamamos Jesus como Messias. Ele vem realizar todas as promessas dos profetas e instaurar o Reino de Deus.


ORIENTAÇÕES PARA A SEMANA SANTA


Domingo de Ramos da Paixão do Senhor
  

Cor litúrgica: vermelho.
O Missal Romano prevê três maneiras de se fazer a memória da entrada em Jerusalém (cf. página 220-230).

Preparar: ramos, mesa, caldeirinha com água benta, turíbulo, naveta (com incenso), carvão, cruz processional, castiçais com velas, Missal Romano.
Na procissão: Alguns cantos apropriados: Os filhos dos hebreus... Cristo vence, Cristo reina... Hosana Hey...
Na celebração: A Leitura da Paixão do Senhor é feita sem velas, sem incenso, sem a saudação inicial, sem fazer o sinal-da-cruz sobre si mesmo e sobre o livro e não se diz Palavra da Salvação. Depois de anunciada a morte, todos se ajoelham, e faz-se um breve silêncio. Pode também ser lida por leitores leigos e forma de jogral, reservando a parte de Cristo ao sacerdote;

Obs: No domingo de Ramos se faz a COLETA como gesto da Campanha da Fraternidade.
Missa do Crisma
     A Missa do Crisma é a festa do sacerdócio ministerial no interior de todo o povo e orienta a atenção para Cristo, cujo nome significa “consagrado por meio da unção” (cf. Lc 4, 18; At 10, 38; Hb 1, 9). O princípio da consagração dos fiéis (óleo no batismo, confirmação, ordenação e unção dos enfermos) e, conseqüentemente, o nome de cristãos (At 11, 26) vem do sentido da unção de Cristo como “o ungido de Deus” para uma missão.

               O óleo é sinal de bênção divina. Ele penetra profundamente; assim, ele tornou-se sinal do Espírito Santo de Deus.

Tríduo Pascal

                O TRÍDUO PASCAL não é preparação do Domingo da Ressurreição, mas é, segundo as Palavras de Santo Agostinho, o sacratíssimo Tríduo do Crucificado, Sepultado e Ressuscitado.

               O Tríduo Pascal da Paixão e Ressurreição do Senhor começa com a Missa vespertina da Ceia do Senhor, possui o seu centro na Vigília Pascal e encerra-se com as Vésperas do Domingo da Ressurreição. É o ápice do ano litúrgico porque celebra a Morte e Ressurreição do Senhor, “quando Cristo realizou a obra da redenção humana e da perfeita glorificação de Deus pelo seu mistério pascal, quando morrendo destruiu a nossa morte e ressuscitando renovou a vida”.

              A Ceia do Senhor (5ª feira santa) é a dimensão ritual, ou seja, o rito memorial, que torna presente o mistério pascal de Cristo.                             
“Na última ceia, Cristo instituiu o sacrifício e o banquete pascal, por meio do qual tornou-se continuamente presente na Igreja o sacrifício da cruz, no momento em que o sacerdote, que representa Cristo Senhor, realiza aquilo que o próprio Senhor fez e confiou aos seus discípulos para que o fizessem em sua memória. De fato, Cristo tomou o pão e o cálice, deu graças, partiu o pão e o deu aos seus discípulos, dizendo: tomai, comei, bebei. Este é o meu corpo, este é o cálice do meu sangue. Fazei isto em minha memória. Por isso, a Igreja dispôs toda a celebração da liturgia eucarística em vários momentos, que correspondem a estas palavras e gestos de Cristo”.1
Orientações para a 5ª feira Santa:
Cor litúrgica: branco.
a) Para a Celebração: No início da celebração, o sacrário deve estar vazio. Alguns objetos importantes: bacia, toalha, cruz processional, turíbulo, naveta, incenso, carvão, véu umeral, castiçais processionais, hóstias suficientes para consagrar e distribuir na quinta e sexta-feira santa.
Torna-se muito significativa a participação dos ministros e ministras extraordinários da sagrada comunhão e das pessoas que participarão do lava-pés na procissão de entrada.
Canta-se o glória e toca-se sinos, que depois permanecerão silenciosos até o glória na Vigília Pascal. Os instrumentos podem ser tocados, mas com moderação, para sustentar o canto.
 Não há creio nesta missa.
 Será significativa uma procissão das oferendas, principalmente com o sentido de ajuda aos necessitados.
 b) Para o lava-pés: Não fazer teatro escolhendo só homens ou 12 pessoas, procurar escolher pessoas engajadas na comunidade ou que prestaram um serviço significativo ou pessoas ligadas à Campanha da Fraternidade. O número de 12 pessoas não é obrigatório para que o gesto seja feito.
         Cantos apropriados: Quanto tempo eu desejei... Jesus erguendo-se da ceia... Eu vos dou um novo mandamento...
c) Para a Liturgia Eucarística: Valorizar a fração do pão no momento do Cordeiro. Onde for possível, privilegiar a Comunhão sob duas espécies.
Cantos apropriados: Eu quis comer esta ceia agora... Nós somos muitos, mas formamos um só corpo...
       d) Para a transladação do Santíssimo: Terminada a oração pós-comunhão o Santíssimo é levado dentro do cibório até a capela do Santíssimo com o uso da cruz processional, velas e incenso (cf. Missal Romano, p. 252- 253);

          Não fazer adoração solene com ostensório, mas sim com o cibório e que tal adoração não se estenda até a tarde da Sexta-feira Santa, mas somente até a meia-noite da Quinta-feira Santa. Onde houver o costume de adoração noturna (após a meia-noite) fazer sem solenidade, com silêncio sagrado.

             O altar seja desnudado, as cruzes cobertas com tecidos da cor vermelha ou roxa, a menos que já tenham sido cobertas no sábado antes do V Domingo da Quaresma.
           
          A Paixão do Senhor (6ª feira santa) não é considerada pela liturgia como dia de luto e de pranto, mas dia de amorosa contemplação do sacrifício de Jesus, fonte da nossa salvação.

            Neste dia fazemos memória da Paixão e morte de Jesus. No centro da nossa atenção está a cruz. Celebramos o mistério do amor de Jesus, o justo, perseguido, injustiçado... que entregou sua vida nas mãos do Pai, confiando em sua justiça. E celebramos o mistério do amor do Pai que se debruçou sobre o sofrimento de seu Filho e não o abandonou na morte. O Amor venceu a o ódio e a vingança. A vida venceu a morte.


Orientações para a 6ª feira santa:

 Cor litúrgica: Vermelho.
 Recomenda-se o ofício das leituras e as laudes deste dia com a participação do povo.
  A solene ação litúrgica celebra-se às 15 horas; porém, para a conveniência dos fiéis, pode ser celebrada desde o meio-dia; e também mais tarde, mas não depois das 21 horas.
 O altar, no início, está completamente desnudado. Sem cruz, sem velas, sem toalhas. Uma só toalha se estende sobre o mesmo para a Comunhão.

        Coleta para os Lugares Santos.
  Incentive-se a Via-Sacra.
  a) Entrada: O sacerdote e os ministros entram em silêncio, sem canto e se prostram, enquanto o povo fica ajoelhado.
  b) Liturgia da Palavra: A leitura da Paixão siga as orientações do domingo de ramos.
  c) Adoração da Cruz: Existem duas formas de adoração da cruz (Cf. o Missal Romano, p. 260-266).
        Apresentem-se uma única cruz para a adoração, em respeito à verdade do sinal.
        Alguns cantos apropriados: Povo meu, que te fiz eu... Vitória, tu reinarás...
Bendita e louvada seja no céu a divina luz...

       d) Comunhão: Estende-se uma toalha sobre o altar, no qual é colocado o Pão eucarístico. Não se faz adoração ao Santíssimo, mas reza-se o Pai-Nosso, omite-se o abraço da paz, seguindo-se o convite: “Felizes os convidados...”.
Concluída a oração sobre o povo, todos se retiram em silêncio.
 O sábado Santo é considerado o momento em que a Igreja fica parada junto ao sepulcro do Senhor, meditando a sua paixão e morte, abstendo-se de celebrar o sacrifício da missa até a solene Vigília ou expectativa noturna da ressurreição. É o dia do grande silêncio, dia de retiro. Cristo desce à mansão dos mortos. Assume o destino do ser humano. É solidário conosco até o fim. Penetra no abismo da morte, para dele sair vitorioso e abrir um caminho de esperança para todos nós.
 Orientações para o sábado santo pela manhã: Recomenda-se o ofício das leituras e as laudes deste dia com a participação do povo.
“A Vigília pascal, na qual os hebreus esperaram à noite a passagem do Senhor para que os libertasse da escravidão do faraó, foi por eles observada como memorial a ser celebrado todo ano; era a antecipação da verdadeira libertação, em que Cristo, quebrando os vínculos da morte, ressuscita vencedor do sepulcro”. 2
 A Vigília desenvolve-se deste modo: após o precônio - pregão pascal (primeira parte da vigília), a santa Igreja medita as maravilhas que o Senhor fez para o seu povo desde o início (segunda parte ou liturgia da palavra), até o momento em que, com seus membros regenerados no batismo (terceira parte), é convidada à mesa que o Senhor preparou para o seu povo, memorial da sua morte e ressurreição, na expectativa da sua vinda (quarta parte). Esta estrutura dos ritos não poderá ser mudada.


Orientações para a Vigília Pascal:

 Cor litúrgica: Branco.
 A celebração da Missa da Vigília é proibida onde não se faz a liturgia completa (as quatro partes).
A Vigília Pascal é a celebração mais rica e a mãe de todas as celebrações do ano litúrgico da Igreja. Pelos inúmeros elementos que a compõem, ela requer uma antecipada e boa preparação. Tudo deve ser visto, refletido, organizado e ensaiado com amor. Por ser a celebração mais importante, nada deve ser improvisado, com também, dada a riqueza de gestos e símbolos da liturgia desta noite, não se faz necessário “inventar coisas novas”. É suficiente realizar bem o que já é proposto pelo ritual.

         a) Celebração da Luz: Prever um local onde possa ser feita uma fogueira possibilitando uma pequena procissão até a igreja. Providenciar velas suficientes para todos e lanternas para iluminar os textos a serem lidos. Turíbulo e naveta, incenso, carvão. O Círio Pascal ficará próximo ao ambão. Antes da proclamação da Páscoa, acendem-se todas as luzes.

        b) Liturgia da Palavra: Preparar bem os salmistas e leitores para a Liturgia da Palavra. Nunca se omita a leitura do Êxodo sobre a passagem do Mar Vermelho (3ª leitura). Após as leituras do Antigo Testamento, canta-se o glória e tocam-se os sinos. O “Aleluia” seja vibrante.
 c) Celebração do Batismo: Pelo menos um batismo, preferencialmente de adultos. Lembrar de preparar: óleos dos catecúmenos, crisma, vela batismal, ritual do batismo.
 Sugestão: Durante a Ladainha, sete pessoas, segurando potes de água, entram em procissão e ficam ao redor da pia batismal. Durante a oração da bênção quando for mencionado cada tipo de água, derrama-se água na pia batismal. Usar a bênção que contém as respostas do povo. Providenciar aspersório ou ramos e assim realizar a aspersão do povo, após o batismo.

       d) Celebração da Eucaristia: Onde for possível, seja incentivada a comunhão sob duas espécies. Na despedida da noite santa e na oitava da páscoa se diz dois: Aleluias.
 Obs: ornamentar as quatro partes da celebração (Círio Pascal, Ambão, Batistério e o Altar).

         O domingo de Páscoa é o a celebração do dia de Cristo Senhor. Um convite para o empenho da vida nova em Cristo ressuscitado. Na sua ressurreição, Cristo comunica ao mundo o seu espírito de vida, que muda o coração do homem, Espírito de liberdade, que redime o homem de suas escravidões e exatamente na raiz, pois resgata o homem do pecado.
 Orientações para o domingo de Páscoa: É importante realizar a aspersão da água benta abençoada na Vigília no momento do ato penitencial.
       Alguns cantos apropriados: Cristo nossa Páscoa foi imolado... Cristo Ressuscitou, Aleluia...
 O círio pascal deve ser colocado junto ao ambão ou perto do altar e permanecer durante todo o tempo pascal, após o tempo pascal será colocado ao lado do batistério. Onde for possível, incentivar a comunhão sob as duas espécies.

        Os cinquenta dias entre o Domingo da Ressurreição e o Domingo de Pentecostes sejam celebrados com alegria e exultação, como se fossem um só dia de festa, ou melhor, “como um grande Domingo”.

          Os oito primeiros dias do tempo pascal formam a oitava da Páscoa e são celebrados como solenidades do Senhor.

          O tempo pascal é composto pelo canto do Aleluia, cor branca e a alegria que se traduz nas músicas, nas flores e no círio pascal aceso em todas as missas.
            Orientações para o tempo pascal: Na medida do possível, escolham cantos de comunhão relacionados com o evangelho do dia. Usar constantemente o rito da aspersão com água benta.


 Bibliografia
BERGAMINI, A., Cristo, festa da Igreja: história, teologia, espiritualidade e pastoral do Ano Litúrgico. São Paulo: Paulinas, 1994.


BUYST, Ione. Preparando a Páscoa. Quaresma, Tríduo Pascal, Tempo Pascal. São Paulo: Paulinas, 2002.




CONCÍLIO VATICANO II. Constituição Sacrosanctum Concilium, São Paulo: Paulinas, 2004.




CONGREGAÇÃO PARA O CULTO DIVINO. As introduções gerais dos livros litúrgicos. São Paulo: Paulus, 2003.




CNBB. Guia Litúrgico-Pastoral. Itaici: CNBB, 2007.




_____. Diretório de liturgia e da organização da Igreja no Brasil. São Paulo: CNBB, 2009.




_____. Cristo Ressuscitado, Fonte e Caminho da Missão. Roteiros homiléticos do Tempo Pascal – Ano B, São Paulo: CNBB, 2009.




SARTORE, Dionísio; TRIACCA, Achille M., Dicionário de liturgia. São Paulo: Paulus, 1992.




1 Cf. BERGAMINI, A., Cristo, festa da Igreja: história, teologia, espiritualidade e pastoral do Ano Litúrgico. São Paulo: Paulinas, 1994, p. 266.


2 Cf. BERGAMINI, A., Cristo, festa da Igreja: história, teologia, espiritualidade e pastoral do Ano Litúrgico. São Paulo: Paulinas, 1994, p. 266.
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Fonte: Diocese de Jundiaí (com adaptações e alterações).
Imagens: Web

segunda-feira, 18 de março de 2013

Cristãos Invisiveis?

 

 
 
O Qatar é um pequeno país árabe.Tem 11.400 quilômetros quadrados e 550 mil habitantes, dos quais 60 mil são católicos.

O único padre existente é o canadense John Vandeerlin.

Não é fácil, para quem passa na estrada, descobrir onde fica a missão católica de Doha, a única paróquia do Qatar. Um muro branco esconde-a completamente aos olhos das pessoas.

A surpresa torna-se ainda maior quando se atravessa o portão e se entra no pátio circundante: sete pequenas construções pré-fabricadas, uma casa em alvenaria, alguns balanços e brinquedos para crianças..., e mais nada. Falta sobretudo a igreja.

Até o momento, foi impossível obter licença para a construir, explica o padre John - com 54 anos e 13 como pároco do Qatar. “A corrente islâmica Wahabi, majoritária no país, sempre viu isso como uma profanação da terra santa (deles)”.

No entanto, devido às pressões exercidas pelas embaixadas ocidentais, o governo está dando alguns sinais de abertura. Já há um terreno que será dividido entre católicos e anglicanos.

O sonho de uma Igreja parece se tornar realidade. Será um grande passo à frente, diz o padre John, já que permitirá aos cristãos aparecerem em público, depois de terem vivido como eremitas, cercados por muros.

Temos que imprimir nossos catecismos, já que é proibido importá-los.

Fazemos artesanalmente os crucifixos e a missa é celebrada sempre de porta fechada: a ordem do governo é de que nos tornemos “invisíveis”.

Contudo, a participação dos fiéis é muito elevada. Um grande exemplo para nós que desperdiçamos as oportunidades que nos são oferecidas.



quinta-feira, 14 de março de 2013

SEJA BEM VINDO PAPA FRANCISCO

“Um homem de grande simplicidade e amor aos pobres”, diz cardeal Damasceno

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papaFrancisco14032013aEm breve entrevista concedida na manhã desta quinta-feira, 14 de março, à Rede Católica de Rádio, o presidente da CNBB, cardeal Raymundo Damasceno Assis, apresentou ao repórter André Costa suas primeiras impressões sobre o Papa Francisco.
RCR - Que impressão o senhor ficou de um Conclave tão breve?
Dom Damasceno - Foi uma experiência singular para mim, pois foi a primeira experiência como cardeal participando de um Conclave. Um clima realmente interessante, de muita reflexão, de muita partilha, de muita oração e de muita liberdade e abertura ao Espírito Santo... E como sempre, o Espírito Santo, como afirmei muitas vezes, o Espírito sopra aonde quer, quando quer, como quer, de modo que tivemos essa grande e agradável surpresa da eleição do nosso novo papa: o papa Francisco.
RCR - Que características o senhor ressalta no novo papa Francisco?
Dom Damasceno - Creio que o papa Francisco já traz suas características expressas no nome que ele escolheu, inspirado no santo de Assis. São Francisco, como nós sabemos, é um santo da pobreza, da simplicidade, da comunhão com todas as pessoas, e com a própria natureza... Aliás, é o patrono da ecologia. As marcas deste novo papa: o primeiro latino americano, um argentino, o primeiro a adotar este nome “Francisco”, o primeiro jesuíta... Mas creio que vai marcar o seu pontificado pela características de ser um verdadeiro pastor. Um pastor que ama o seu povo, que está inteiramente voltado para o cuidado do seu povo, mas ao mesmo tempo aberto ao mundo, a todos os demais povos, com os que pertencem a uma outra religião... Ele terá este coração grande, aberto, à exemplo de São Francisco de Assis. Creio que esta espiritualidade certamente inspirará o novo papa, pela simplicidade, pelo diálogo, que serão suas marcas, como foram quando ele foi arcebispo de Buenos Aires: um homem de grande simplicidade, de grande amor aos pobres.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Último dia de Bento XVI



Deixamos nossa gratidão ao Papa.

                             


Multidão se emociona com despedida do papa Bento XV
I
        "O papa Bento XVI apareceu para o público pela última vez, no Papamóvel, por volta das 10h40 locais (6h40 de Brasília). Durante o trajeto que durou cerca de 15 minutos, ele foi ovacionado com gritos de "Bento! Bento!" e "Viva o Papa!".
O Vaticano distribuiu 50 mil entradas para a audiência, mas havia cerca de 100 mil pessoas na Praça São Pedro para acompanhar o papa um dia antes de sua renúncia.
(...)
          Após deixar o Pontificado, o papa Bento XVI irá para a residência de verão dos pontífices, em Castel Gandolfo, nos arredores de Roma. Ele deve ficar no local até seu apartamento, em um antigo mosteiro dentro do Vaticano, ficar pronto. Segundo ele, o resto de seus dias será dedicado à oração."

Leia mais no Jornal do Brasil 


Praça São Pedro hoje de manhã (16:30, horário local)


   Declarações do Papa hoje, em sua última audiência:

       "O Senhor nos deu muitos dias de sol e ligeira brisa, dias nos quais a pesca foi abundante, mas também momentos nos quais as águas estiveram muito agitadas e o vento contrário, como em toda a história da Igreja e o Senhor parecia dormir", disse.
Mas ele afirmou ter fé em que Deus não vai deixar a Igreja "afundar".
         "Estou realmente emocionado e vejo uma Igreja viva", disse o Papa, sempre bastante aplaudido pela multidão.
            Ele voltou a afirmar que sua renúncia, anunciada em 11 de fevereiro, foi decidida "não para seu bem, mas para o bem da Igreja", e reiterou que sabe "da gravidade e da novidade" da decisão que tomou.
           "Amar a Igreja significa também ter a valentia de tomar decisões difíceis, tendo sempre presente o bem da Igreja, e não o de si próprio", disse.
O Pontífice afirmou que "não vai abandonar a Cruz" e que, pela oração, vai continuar a serviço da Igreja.
           "Minha decisão de renunciar ao ministério petrino não revoga a decisão que tomei em 19 de abril de 2006 (ao ser eleito Papa)", disse.
           "Não abandono a cruz, sigo de uma nova maneira com o Senhor Crucificado, sigo a seu serviço no recinto de São Pedro", completou.
Bento XVI também pediu que os fiéis orem pelos cardeais que, após a renúncia, terão de eleger seu sucessor, em uma tarefa que ele considera difícil.
               "Orem pelo meu sucessor! Que Deus os acompanhe",disse o Papa.".

Quinta-feira, último dia

            "Na quinta-feira (28), ele deixará o posto e passará a ser chamado de "Papa Emérito".
        Na manhã de quinta, no Palácio Papal, o decano do Colégio de Cardeais, Angelo Sodano, fará um pequeno discurso de despedida, e então cada cardeal poderá separadamente se despedir do pontífice.
          Durante a tarde, no Tribunal de Saint-Damase, no coração do pequeno Estado, a Guarda Suíça carregará suas bandeiras em saudação.
            Em seguida, por volta das 13h (horário de Brasília),  Bento XVI irá para o heliporto do Vaticano para viajar a Castel Gandolfo, 25 quilômetros ao sul de Roma, a residência de verão do Papa, onde passará dois meses, antes de se estabelecer em um mosteiro no Monte do Vaticano.
           Bento XVI chegará à residência de verão e saudará os fiéis a partir da varanda. Esta será sua última aparição como chefe da Igreja. Nada de especial está previsto quando o relógio badalar oito horas da noite (hora local), momento em que oficialmente termina o pontificado. Ele provavelmente estará em oração na capela neste momento.
            Às 20h, o pequeno destacamento da Guarda Suíça, em frente à residência, fechará a porta e colocará assim um fim ao seu serviço, reservado exclusivamente ao Papa. Mas a polícia vai continuar a garantir a segurança de "Sua Santidade, o Papa Emérito".
             No Vaticano, a Guarda Suíça continuará a fazer a proteção, apesar do "trono vacante".

Conclave

         No dia seguinte à renúncia, o cardeal Angelo Sodano enviará os convites aos cardeais eleitores -- atualmente 115 -- para as "congregações" que precedem o conclave. Essas reuniões, durante as quais os prelados procuram definir o perfil do futuro Papa, não devem começar antes de segunda-feira.

Papa Emérito

       Nesta terça (26), o Vaticano anunciou que  Bento XVI vai manter o nome e o título honorífico de "Sua Santidade"  após a renúncia. Ele será chamado de "Papa Emérito" ou "Pontífice Romano Emérito".O anel papal vai ser destruído, de acordo com a tradição do Vaticano, segundo o porta-voz.
         Bento XVI passará a trajar a "batina branca papal clássica", sem mantelete, segundo o padre Federico Lombardi. Ele também não deve mais usar sapatos vermelhos.
       O porta-voz afirmou que Bento 16 tinha tomado as decisões sobre seus títulos após consulta com as autoridades do Vaticano.
        O Papa alemão, de 85 anos,  disse que vai renunciar por conta de sua frágil saúde. O anúncio, surpreendente, foi feito em 11 de fevereiro. Joseph Ratzinger será o primeiro pontífice a renunciar em mais de seis séculos, o que cria situações praticamente inéditas para a Igreja Católica Apostólica Romana."

Fonte: G1